Realismo na Pintura
O que sempre me fascinou na pintura foi o realismo, pintar o real com realidade. Reproduzir o que se vê. É um estilo demorado e minucioso, mas que depois de acabado dá um imenso prazer.
Estes dois temas aparentemente tão diferentes são sobre a nossa cidade. Um retrata cenas de rua, outro a publicidade que está colada nas suas paredes.
Nas paisagens urbanas, interessava-me pintar uma Lisboa recente com os reflexos nos prédios e carros, com as luzes e sombras, os brilhos, as cores e as texturas.
Nos cartazes, que passam despercebidos à maior parte das pessoas, além do realismo com que são retratados, o enquadramento tinha que ser muito rigoroso. É este enquadramento dos rasgões, das rugas, cores e letras, que dá “dimensão” a estes quadros.
Paulo Falcão
Nesta Mostra, Paulo Falcão apresenta uma meticulosa pintura de iluminação e reflexos naturais e artificiais de uma paisagem urbana, transpondo os princípios do “close-up” da Pop, fragmentando a realidade em termos de um neo realismo inspirado na Pop.
Utilizando uma paisagem visual, muitas vezes degradante e poluída, como são os cartazes rasgados, o artista dá uma nova redefinição deste lixo visual, dando a reconhecer algo que nunca vimos, um pedaço chocante da realidade visível.
A aproximação deste close-up permite-nos uma ambivalência na leitura dos seus trabalhos “cartazes rasgados” que consiste numa abstracção global, tornando a sua pintura numa peça abstracta à medida que nos afastamos dela.
Com uma forte inspiração dos neorealistas americanos, Paulo Falcão apresenta uma série de trabalhos bastante inovadores e de grande impacto estético.
Paulo Alarcão
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